terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ora et Labora

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Após 3 partidas (uma solo, uma curta em 3 e uma normal em 4), já posso fazer alguns comentários iniciais sobre Ora et Labora.

Quem gosta dos jogos do Uwe, especialmente Le Havre, com certeza vai gostar bastante desse. Você também tem ali um monte de tiles de recursos com 2 lados, que valem dinheiro, energia, comida e/ou pontos, além de servirem para construir prédios. Então você constrói prédios que permitem novos tipos de ações, em que em geral você pega os recursos e usa/troca/transforma, etc.

A principal diferença é que os prédios em OeL devem ser construídos em um lugar específico. Existem água, costa, planície, montanha e encosta. Você começa com um tabuleiro básico e vai comprando terrenos adjacentes. A forma como você posiciona é importante porque os assentamentos que você faz (outro tipo de carta, além dos prédios) potencializam a pontuação no final.

Embora tenha esse desafio espacial, no OeL não há uma necessidade periódica de pagar nada, nem empréstimos. Parece um pouco mais “relax” nesse sentido. Há um equivalente: é importante fazer assentamentos, e só se pode fazer em 5 momentos específicos do jogo, então é bom você se preparar para esses momentos.

No OeL também dá pra fazer pontos simplesmente transformando tiles. Diferente do Le Havre, há tiles que valem pontos.

Uma reclamação básica no BGG é sobre a qualidade dos componentes. É de fato inferior ao de Agricola e Le Havre, mas acho o mau humor um pouco exagerado. O problema é que os terrenos iniciais mais os adjacentes para comprar são em grande número: se fosse fazer em tabuleiro "grosso", ia sair bem caro o jogo. Porque os tiles já são numerosos, mais ou menos o mesmo tanto que vem no Le Havre, e esses, sim, com a mesma qualidade. As cartas têm uma qualidade normal, são pequenas (mini-euro) porque, se fossem grandes, numa mesa mal haveria espaço para jogar uma partida solo. A ilustração não é excepcional, mas não acho assim inferior à do Agricola, por exemplo.

Assim mesmo, está se saindo muito bem no BGG. Já está, hoje, na posição 70, com uma média de 8,29 para 836 ratings. Deve ser Top-10 em breve.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Variante OFICIAL - expansão Leaders (7 Wonders)

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Faço questão de ressaltar que se trata de uma variante oficial — ou seja, criada/endossada pelo designer — porque eu e muitas pessoas não gostam de variantes ou regras caseiras. O autor de 7 Wonders, Antoine Bauza, reconhece o fato ao afirmar:

“Proponho regras simples para manter o jogo acessível a muitas pessoas, e os jogadores experientes podem acrescentar opções conforme preferirem. Bom, acontece que a maioria dos jogadores experientes não tomam liberdade em relação às regras, provavelmente por respeito ao autor. (Obrigado por isso!)”

Sim: não tomamos liberdade por respeito ao autor, ao criador, à equipe de desenvolvimento. Se um jogo é testado mais de 500 vezes (e em muitos casos isso não é uma hipérbole), devemos dar a chance de ele brilhar. Quando um jogo não me agrada, eu apenas o deixo de lado*.

Pensando nisso, Bauza lançou duas variantes oficiais para usar a expansão Leaders.

Variante 1
Cada jogador recebe 5 cartas de líderes e descarta uma (secretamente) antes de passar as 4 cartas restantes ao jogador à sua direita. Então a escolha de cartas prossegue como nas regras originais da expansão.
Comentário
É interessante porque pode evitar a “sorte grande” de algum jogador. Por exemplo, se num grupo a carta X costuma ser a mais efetiva, em geral ela será retirada da escolha.

Variante 2
Cada jogador recebe 5 cartas de líderes, e a escolha prossegue como nas regras originais da expansão. Quando cada jogador recebe 2 cartas do vizinho, ele fica com uma e descarta a outra secretamente.
Comentário
Esta variante somente dá um pouco mais de opções aos jogadores, fazendo essa escolha ficar semelhante à das Eras.

Fonte (inglês e francês):
http://www.antoinebauza.fr/?p=2053
Neste link é possível ver também como fazer certos ajustes necessários para se jogar alguma dessas variantes com 7 jogadores.

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* Há uma exceção, muito bem explicada. É o Ticket to Ride: Europe. Este é um jogo que considero agradável, mas não o teria em minha coleção a não ser pelo fato de que é o melhor título para introduzir pessoal novo aos jogos modernos. Só o jogo nesse caso. E, como a regra dos túneis pode gerar uma situação intolerável, faço nela uma mínima modificação: o limite de cartas a mais que a pessoa pode ter de apresentar é sempre de apenas uma carta.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Grande autor Sid Sackson terá 30 jogos relançados

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A “modernidade” no tabuleiro, dizem, começou com Catan em 1995. Mas um título muito anterior já possuía as tais qualidades modernas: rápido de jogar, com regras simples, sem eliminação e com muito mais estratégia do que sorte, Acquire, de Sid Sackson, faz sucesso desde 1962 e desde então nunca deixou de ser publicado.

Apesar de inúmeros lançamentos cheios de hype todo ano, ele resiste no Top-100 do BGG, onde é um dos mais antigos, superado somente pelo milenar Go e pelo brinquedo de peteleco Crokinole. Chegou a ser publicado no Brasil pela Grow, com o nome de Cartel.

Sid Sackson não teve mais sucessos do mesmo porte. Outros de seus jogos que ainda vinham sendo relançados são Can’t Stop, I’m the Boss e Sleuth. O primeiro é muito bacana de jogar contra o computador, mas, como um jogo de “push your luck”, é bastante demorado para a mesa. Os outros dois não consegui experimentar ainda.

Mas me chamam a atenção algumas de suas criações mais obscuras – e elas estão para vir à luz novamente, por obra da Fred Distribution.

Bazaar, de 1967, já está em pre-order (Gryphon Games). Dá para jogá-lo online no BSW. Li as regras. É um jogo familiar e simples, mas que parece bem criativo e interessante.

Metropolis, de 1984, inspirou os jogos Big City e Chinatown, lançados 15 anos depois, e me desperta mais curiosidade do que ambos. Ainda não vi uma data para este.

Choice é um jogo excelente, na linha do Yathzee, mas muito mais interessante. É melhor de jogar solo, diga-se. Nem precisa comprar: basta ter 5 dados e imprimir o folheto. Está sendo relançado com o nome de Extra! pela Schmidt Spiele, onde vem com uma inteligente caixa que, uma vez aberta, se transforma numa torre de dados.

Venture, Samarkand e Executive Decision são outros jogos de Sid Sackson que eu gostaria de ver em ação – e estão para ser relançados nessa empreitada.

Alguns fatos:

  • Sid Sackson faleceu em 2002, aos 82 anos. Seus minuciosos diários estão no Strong Museum of Play, na cidade de Rochester (EUA).
  • Segundo a Wikipedia, ele possuía mais de 18 mil jogos, tendo sido o maior colecionador do mundo.
  • Com o jogo Focus, Sackson ganhou o Spiel des Jahres de 1981. Esse jogo chegou a ser lançado no Brasil, pela Estrela, com o nome de Domínio.
  • No Acquire da Avalon Hill, um dos hotéis do jogo se chama Sackson.
  • Grande apreciador de jogos simples, dos que podem ser disputados apenas com baralhos, fichas, papel, lápis ou outros apetrechos triviais, Sackson publicou o livro A Gamut of Games, com regras para dezenas desses jogos. Alguns criados pelo próprio Sackson.

Veja abaixo uma matéria sobre Sid Sackson na revista Super Interessante Especial – Jogos (1990). Em seguida, uma entrevista concedida por ele (na mesma edição).

 

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ENTREVISTA COM SID SACKSON (1990)

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre Dominant Species

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Dominant Species — criado por Chad Jenses, autor de wargames como Combat Commander: Europe — é um jogo de worker placement e controle de área que tem feito muito sucesso entre os fãs de jogos “pesados”. Já alcançou a destacadíssima posição de 20.o lugar no BGG.

Resisti muito tempo a jogá-lo, com certos receios. Experimentei na JogaSampa de setembro na Ludus. O jogo é muito bom, mas meus receios se confirmaram.

1) Duração do jogo. Não tenho problemas com um jogo só por ele demorar muito. Este dura umas 3 horas. Civilization dura 4 ou mais, e eu não recuso nenhuma partida e ainda seria capaz de jogar outra vez em seguida. O problema é que um jogo deve ter “algo mais” para ter essa duração e entrar em minha coleção, porque as oportunidades para jogos demorados são limitadas. Dominant Species, mesmo sendo bem bolado e bem desenvolvido, não me traz nenhum algo mais.

2) Downtime. A partida teve 3 horas exatas, e foi possível se ausentar da mesa por uns 10 minutos de vez em quando. Em Civilization há downtime, mas existe uma diferença importante. Civilization é um jogo estratégico em que, apesar da enorme complexidade da situação do jogo, há mais estabilidade e mudanças mais graduais. É útil você aproveitar o tempo dos outros jogadores para pensar nas ações que vai fazer. Mais do que útil: é essencial. Dominant Species é um jogo tático em que as mudanças no cenário são abruptas e profundas. Não adianta você pensar durante o turno dos adversários, muita coisa vai mudar e você precisará recomeçar o raciocínio. Assim, a improdutividade do downtime torna-o ainda mais longo.

3) Manipulação. DS compartilha com Shogun uma crítica: são ambos jogos um tanto “trabalhosos”. Existe uma computação bem chatinha, e mesmo os que gostam do jogo aposto que vão adorar quando sair uma versão eletrônica que faça todos os cálculos. Para cada hexágono, é necessário comparar as dominâncias sempre que acontece alguma mudança (e, como disse, acontecem muitas mudanças o tempo todo). Os cones marcam com clareza quem está ganhando ali, mas não a pontuação dos envolvidos, e também não brotam sozinhos, os jogadores precisam fazer esse controle. Eu considero bastante incômodo.

4) Novidade. Não, um jogo não precisa ter mecânicas “originais” para ser bom. Mas isso pode ajudar muito para a sensação de querer conhecer e jogar de novo um lançamento. Em DS, a parte de worker placement funciona igual ao Caylus, e o controle de área é igual ao de El Grande. Há muitas semelhanças em detalhes com esses dois jogos. Uma coisa um pouquinho diferente é o controle de área “duplo”: dominância x cubinhos. Mas são apenas superposições, não há de fato uma dinâmica especial. A novidade em King of Siam, por exemplo, é que se trata de um controle de área em que os cubinhos não são “seus”. Você tem que tentar fazer uma cor “ganhar” e ao mesmo tempo tentar ser aquele que mais capturou daquela cor — uma dinâmica interessantíssima em que um objetivo prejudica o outro. No worker placement, um jogo que realmente conseguiu inovar e criar uma nova sensação é o Luna: os trabalhadores já estão alocados e são gastos com o uso, mas se reativam no final de cada turno. Seu objetivo é utilizar os recursos disponíveis para realocá-los e reaproveitá-los na hora certa. Essas alterações numa mecânica já existente dão uma nova sensação ao jogador.

Enfim: Dominant Species é um bom jogo para quem gosta de caos tático, mas, pelos motivos explicados acima, não é para mim.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

1.o COCKPIT Ludus


No dia 31 de agosto de 2011, fizemos um 1.o encontro de Cockpit na Ludus. E deveremos ter muitos mais, pois o pessoal gostou bastante do jogo.

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A mesa pronta para o jogo! As fichas pretas servem para demarcar o trecho real a ser usado no circuito.

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Aqui o grid de largada! Na pole position, Rose com sua clássica Lotus n. 7. Eu na Benetton n. 1 completo a primeira fila! Alegre

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Momento de flagrante desrespeito às normas de segurança: não se deve pilotar sem o uso de capacete, Vinicius!

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Tensão em cada curva: a Ferrari n. 3 consegue a ultrapassagem, mas toma um “X” da Renault n. 9 na segunda perna da curva!

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E o pódio mostra que, no final, valeu a experiência do veterano piloto da Benetton! Ele correu até perder adesivos do carro!

Obrigado à presença de Antonio Carlos, Alana, Bruna, Rose e Vinícius!

domingo, 7 de agosto de 2011

As pessoas por trás das novas empresas


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Novas empresas estão começando a mexer com o mercado brasileiro de jogos, lançando e prometendo títulos mais maduros.

A foto acima foi batida pelo Marcelo “Ultra” no dia 3 de agosto de 2011 na Ludus Luderia, em São Paulo. Mostra a coincidente presença na casa de 3 responsáveis por boas nascentes editoriais.

Da esquerda para a direita:

  • Renato Sasdelli, da Galápagos Jogos, que lançou Recicle, autêntico “euro” de criação nacional e componentes que fazem jus à designação.
  • Gustavo Nascimento, da Hidra Games, autor de Aero.
  • Eu aí no meio. Alegre
  • Marcos Macri, novo designer, que criou Pássaros, da Ceilikan.
  • Tiago Bueno, da Ceilikan Jogos, que trouxe o fantástico Samurai, do alemão Reiner Knizia, e está investindo em autores nacionais; acompanhado de sua esposa.

Importante é que todas estão trabalhando para mais lançamentos e novidades.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma alvorada dos jogos no Brasil


Imagem de Henk Rolleman

No final de 2010, escrevi em algumas listas de discussão que eu acreditava que o nicho dos jogos de tabuleiro estratégico tinha potencial de se desenvolver no país. Num período de empolgação, até cheguei a rascunhar uma empresa própria e fazer uma série de contatos objetivando alguma realização na área.

Porém, em produção e vendas, só me saio razoavelmente razoável quando jogo Container! Para sorte minha e do hobby, outros indivíduos, mais industriosos, tomaram a frente da empreitada e posso dizer que, no primeiro semestre do ano, que terminou ontem, aconteceu bem mais do que eu esperava.

COLONIZADORES DE CATAN
Está chegando às lojas esse lançamento da Grow. Custando em torno de 85 reais, é perfeitamente acessível, e tem componentes no padrão do importado — as belas peças de plástico são importadas, idênticas às da edição europeia.

COLORETTO
Também foi lançado pela Grow esse bom jogo de Michael Schacht, que resenhei aqui no blog antes de saber que seria publicado no Brasil. A qualidade das cartas é um pouco inferior à do importado, mas a caixinha tem recebido elogios. Custando 15 reais apenas, é uma ótima compra.

RECICLE
Infelizmente não joguei ainda, mas pretendo muito em breve fechar essa lacuna e comentar aqui no blog. Porém os comentários que ouço é que se trata de um jogo estratégico muito forte, com potencial para ser distribuído no exterior, o que seria uma façanha para o designer nacional Luish Coelho. Além do mais, a edição lançada pela Galápagos está perfeita, com qualidade equivalente aos melhores jogos importados.

SAMURAI
Foi relançado, ao que parece com certas correções e preço mais em conta. Imperdível por cerca de 80 reais na ArtGames.

OFFBOARD
A Ludens Spirit está publicando este jogo no Brasil simultaneamente ao lançamento na Europa pela Asmodee e pela Schmidt Spiele. É um jogo de estratégia abstrata dos mesmos autores de Abalone — que a mesma empresa também distribui aqui no país há algum tempo.

PÁSSAROS
Em 2009, joguei um protótipo desse jogo umas duas ou três vezes, como playtest para o designer Marcos Macri. Houve mudanças, certamente para melhor, mas o fato é que o jogo já era um bom set collection e hand management na época. Será lançado oficialmente pela Ceilikan no dia 9 de julho, na BGCon — aliás, outra novidade interessante para o hobby. Vale a pena experimentar o jogo, que é relativamente acessível, mas que permite profundidade estratégica.

MEHINAKU
Incursão brasileira nos cooperativos, criado por Antonio Marcelo, Flavio Jandorno e Luis Francisco, com maravilhosa arte deste último, Mehinaku está previsto para ter lançamento internacional em Essen 2011. No Brasil, está sendo publicado pela Toia.

AERO
Será lançado também na BGCon. Estou ainda curioso, mas me surpreendeu ao ler esta entrevista com o designer Gustavo Nascimento e saber que se trata de um jogo de estratégia abstrata para duas pessoas, com regras simples e técnica complexa.

Além desses destaques, também foram lançados jogos como o filler Ouro de Tolo, o jogo de cartas Afluentes e o interessante Galáxia SA. Nota-se uma mistura de bons jogos estrangeiros com designs brasileiros em linha com as melhores produções estrangeiras.

Vejam que, em apenas 6 meses, tornou-se disponível ao brasileiro uma coleção boa e balanceada como nunca se viu antes por aqui. E algumas empresas estão prometendo ainda mais…

Desejo ótimas vendas a todos! Alegre